segunda-feira, 10 de maio de 2010

Motivos para amar

“Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la”.
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 9 de maio de 2010

A Árvore do Dinheiro



"O desejo se origina no sistema límbico, a parte do cérebro responsável pela formação das emoções (...). Já a transformação do desejar em querer ocorre no córtex, local onde as decisões racionais são processadas. Conclusão: desejar é uma ação irracional; querer é racional."

"Desejar objetos de consumo é extremamente comum - e desejar faz bem. Pense que, se não fossem nossos desejos, ainda estaríamos vivendo nas cavernas. O progresso é produto do desejo, e não de nossas necessidades."

"Antes de gastar, pergunte-se se o item que você deseja consumir vale a quantidade de vida que você precisa despender para comprá-lo."

"Aprenda a cultivar prazeres de baixo custo e que não se esgotam materialmente, como a arte, a música e a leitura. Também não se deixe tomar pela neurose do pauperismo - a vida foi concebida para ser bem vivida e não para a autoflagelação.

Procure ensinar os filhos a gostarem de coisas que podem ser feitas sem despender muito dinheiro. Muitos pais chegam ao final da semana tão cansados que o único lazer que conseguem ter com os filhos é ir a um shopping center. Assim, os jovens aprendem que um passeio no shopping é sinônimo de diversão.

Que tal programar um lanche no parque ou brincar com algum jogo de que eles gostem? Ou, ainda, chamar os filhos para a cozinha e ensiná-los que fazer pizza ou sovar uma massa de pão também pode ser divertido? Tente fazer isso e veja se eles ficam tão ou mais contentes do que com um dia de enormes gastos no shopping. Mas, atenção: comece logo, pois, uma vez que estiverem viciados em consumo, será difícil alterar o comportamento."

"Se você pretende ficar rico, só existe uma receita: precisa gastar menos do que ganha e investir suas economias. Você deve poupar parte de sua renda e colocá-la para comprar ativos que gerem renda. Não há outra forma de enriquecer que não seja poupar e investir."

"Pior do que não se preocupar com dinheiro é viver apenas para ganhá-lo".

"Lembre-se: quando seu patrimônio puder sustentar seu nível de consumo, você será rico."

"'O que você sabe não tem valor. O valor está no que você faz com o que sabe.' - Bruce Lee, ator e diretor."

"'Um investimento em conhecimento sempre oferece o melhor retorno.' - Benjamin Franklin, filósofo e político americano."

"(...) o verdadeiro status advém do que somos, e não do que temos."
(Jurandir Sell Macedo Jr)

Adeus China - o último bailarino de Mao



"Divórcio está fora de cogitação. Mulheres que se divorciam são humilhadas, desprezadas, consideradas inferiores aos animais."

"Um filho podia trabalhar no campo. Um filho podia trazer uma nora para casa. Um filho podia dar continuidade à linha familiar. A falta de um filho era considerada a pior traição aos ancestrais."

"Não conseguia lembrar quantas vezes tinha desejado morrer para aliviar a carga financeira de meus pais. Teria dado a vida para ajudar a família, mas isso faria alguma diferença? Afinal, a quem pertence a vida?"

"(...) para ser o melhor, é preciso primeiro ter a ousadia de tentar! Nada é impossível para quem não tem medo. Não quero que seja o melhor da turma; quero que seja o melhor do mundo."

"Nada vem facilmente. Não há como cortar caminho. As coisas só acontecem quando se trabalha por elas. O tempo deve ser valorizado."

"Gostaria que você visse a dança de Barishnikov! (...) É melhor que Vasilev? (...) É sim, do ponto de vista técnico. (...) Barishnikov é hoje, provavelmente, o mais honorável bailarino do mundo. (...) Hoje, vamos mostrar O Quebra-Nozes e The Turning Point."

"Assistimos a filmes de balé russo, como Flor de Pedra, Lago dos Cisnes e Spartacus. Conhecemos estrelas famosas do balé russo, como Galina Ulanova, Maya Plisetskaya e, é claro, Vladimir Vasiliev. Fomos autorizados a assistir até mesmo ao famoso desertor russo Rudolf Nureyev dançando com Margot Fonteine, uma das bailarinas mais respeitadas do mundo."

"O Festival Ballet apresentou Gisselle (...), inclusive o famoso Étude, de Harald Lander, e, felizmente, não precisávamos mais analisar o conteúdo político do espetáculo."

"Como diz um antigo ditado chinês: 'O vento leva as palavras para outros ouvidos'."
(Li Cunxin)

O Caçador de Pipas



"Foi há muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar."

"(...) existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo. (...) Quando você mata um homem, está roubando uma vida (...) Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça."

"As crianças não são cadernos de colorir. Você não tem de preenchê-lo com suas cores favoritas."

"E, no final das contas, a pergunta que acabava sempre me impondo era: como é que eu, entre todas as pessoas, poderia punir alguém pelo seu passado?"

"Zendagi migzara, como dizemos, a vida continua... (...) Só existe o que você faz e o que deixa de fazer (...)"

"Mas o tempo pode ser uma coisa bem voraz - às vezes se apodera de todos os detalhes só para si mesmo."
(Khaled Hosseini)

Dom Quixote



"Um cavaleiro andante sem amores era uma árvore sem frutos, um corpo sem alma".

"(...) qualquer coisa basta, porque meus adornos são as armas e meu descanso é na peleja".

"Realmente estou um tanto dolorido. Só não me queixo porque isso não fica bem para um cavalheiro andante. Mesmo que minhas tripas estivessem saindo pelos ferimentos, jamais, soltaria um ai sequer".

"E quem erra nas pequenas coisas, erra também nas grandes".
(Miguel de Cervantes)

Filhos brilhantes, alunos fascinantes



"(...) a democracia das ideias é uma necessidade inevitável. Não é possível viver em liberdade sem respeitar os que pensam diferente de nós."

"Nietzsche pensou: 'Aquilo que não me mata, me torna mais forte'."

"Como sabiamente disse Alexandre Graham Bell, o inventor do telefone: 'Se andarmos apenas por caminhos já traçados, chegaremos apenas onde os outros chegaram'."

"Enxerguem o que está por detrás das cicatrizes dos seus pais, das suas manias, irritabilidade, impaciência. Cheguem em suas casas e perguntem pelo menons três coisas a eles: 1ª) quais são seus sonhos mais importantes; 2ª) quais foram os dias mais difíceis de suas vidas; 3ª) quais foram os momentos mais alegres de suas histórias."

"O verdadeiro amor cultiva-se no terreno da liberdade."

"Nada é mais frustrante para um mestre do que ensinar pra quem não quer aprender".

"Comentaram sobre os medos, a coragem e as angústias de Einstein. Disseram que foi um grande gênio, que produziu excelentes ideias, mas errou também. Errou principalmente ao deixar seu filho doente mental num hospital psiquiátrico por mais de vinte anos e nunca mais o ter visitado. Os alunos entenderam que o gênio da física conheceu muitíssimo o mundo de fora, o físico, mas tinha seus problemas, como todo ser humano, no mais complexo dos mundos, o psíquico."

"Os fracos julgam e excluem, mas os fortes incluem e compreendem."

"O futuro tem muitos nomes. Para os fracos, é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes, é a oportunidade."

(Augusto Cury)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pensamento Socrático


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos dependurados em telefones celulares; mostravam-se preocupados, ansiosos e, na lanchonete, comiam mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, muitos demonstravam um apetite voraz. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade? O dos monges ou o dos executivos?

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não; minha aula é à tarde". Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir um pouco mais". "Não", ela retrucou, "tenho tanta coisa de manhã...". "Que tanta coisa?", indaguei. "Aulas de inglês, balé, pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’".


A sociedade na qual vivemos constrói super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas muitos são emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram que, agora, mais importante que o QI (Quociente Intelectual), é a IE (Inteligência Emocional). Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma próspera cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil -com raras e honrosas exceções-, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilidade coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!". O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globocolonizador, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer de uma cadeia transnacional de sanduíches saturados de gordura…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

Frei Betto, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond), entre outros livros.