terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"As crianças andam não só porque têm pernas, mas porque seus pais assim as permitem."
(Maud Mannoni)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Nosso Lar

É sempre complicado analisar filmes baseados em textos religiosos. Já é difícil criticar obras cinematográficas que têm fãs, então imagine as que têm devotos. Quando os defeitos de um longa-metragem como produto são apontados, corre-se o risco de parecer - erroneamente - preconceituoso, desrespeitoso com a fé alheia. Nosso Lar (2010), portanto, é dos mais complexos. Afinal, tem defeitos de monte, mas é baseado em obra fundamental do espiritismo brasileiro, o primeiro volume da série A Vida no Mundo Espiritual, escrita em 1944 pelo médium Chico Xavier (1910-2002).

Entre os integrantes do movimento espírita acredita-se que o texto tenha sido "psicografado", ou ditado, pelo espírito André Luiz, que é justamente o personagem principal do longa-metragem. Na história, o protagonista é um médico que, depois de uma vida de excessos, morre e desperta em outra dimensão, uma espécie de purgatório, o Umbral. Depois de arrepender-se das falhas de sua existência anterior, André é recolhido e levado à colônia Nosso Lar, onde começa seu aprendizado sobre a realidade da vida humana e o funcionamento do universo espiritual - lições essas que ele passa a relatar em cartas enquanto procura mudar seus valores morais.

O didatismo do texto literário, que esmiuça cada detalhe dessa nova realidade, é mantido pelo diretor Wagner de Assis (A Cartomante) em sua versão audiovisual. O resultado, ainda que deva encantar quem já conhece a obra original, é redundante e cansativo para quem se interessa por Nosso Lar apenas como cinema. Por exemplo, enquanto André (Renato Prieto) arrasta-se pelo Umbral, com seu olhar de desespero encarando as hostes sem rumo que lamentam seus destinos, a narração em off teima em relatar aquilo que nossos próprios olhos já estão vendo. A solução só piora ainda mais quando personagens professorais (Lísias, Clarêncio, Governador Anacleto...) surgem em cena para, essencialmente, explicar. E explicam tudo, o tempo todo.

A dramaticidade, portanto, é mero pano de fundo para um filme de reafirmação e disseminação da doutrina espírita. Assim, entende-se desde o primeiro frame o apoio da Federação Espírita Brasileira à produção. O que fica difícil compreender é como um filme de uma doutrina tão positiva (a "Lei de Ação e Reação" é algo com que qualquer um pode se identificar) atropele a fé alheia em nome do espetáculo. Não me importei em momento algum com as diversas cenas que insistem em como os céticos estão errados sobre o pós-vida (é papel óbvio do filme tentar me convencer do contrário), mas a chegada ao Nosso Lar das vítimas do Holocausto, estrelas de Davi costuradas no peito e peot no cabelo, é difícil de assistir. Ainda que tente ser respeitosa e solene, a sequência ignora diferenças fundamentais nos conceitos de vida eterna das duas religiões e me pareceu equivocada e invasiva. Não importa o quanto você tenha certeza de suas crenças - elas são suas e não do outro.

Empenho técnico
Com orçamento estimado em 20 milhões de reais, alocado graças ao potencial de público (estima-se que 2,5 milhões de brasileiros sejam adeptos do Espiritismo), Nosso Lar é a mais cara produção cinematográfica da história do Brasil. Diferente do campeão anterior, Lula - O Filho do Brasil (por volta de 15 milhões), porém, neste o valor do investimento pode ser efetivamente apreciado na tela.

Parte dessa verba ficou com o desafio técnico de criar a colônia espiritual - que me lembrou uma mistura de Brasília com Krypton, desenhada a partir de ilustrações mediúnicas - desenvolvida pela canadense Intelligent Creatures. A empresa é conhecida por animar a máscara de Rorschach em Watchmen e criar cenários para A Fonte da Vida e Anjos da Noite: A Rebelião, entre outros projetos. Os takes aéreos da cidade são muito bem realizados, assim como outras sequências que exigem o uso maciço de efeitos especiais. Tudo muito convincente (os interiores, nem tanto). A produção não economizou também na trilha incidental: chamou Philip Glass, um talento (ainda que irregular) de Hollywood. Infelizmente, sua composição para o filme, intrusiva e óbvia, não está entre seus melhores trabalhos. A fotografia, que imprime à obra os tons de capas de publicações religiosas, também contou com talento importado, o suíço Ueli Steiger (10.000 a.C.).
Com tamanho esmero técnico, não fossem os excesso didáticos (de roteiro e elenco) e o tom de sermão, Nosso Lar seria bem mais importante para a cinematografia nacional do que resultou. De qualquer maneira, é filme que prova que, se houver vontade, o Brasil pode sair do eixo comédia romântica, favela e drama, em direção a outros gêneros ainda pouco explorados por aqui. A intenção é animadora.
(Érico Borgo)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Último Exorcismo

Filmes de terror de baixo orçamento sempre existiram na indústria, mas agora, aliados à estética documental caseira que virou moda há alguns anos, têm ocupado espaço de destaque nos cinemas. Que estúdio não quer, afinal, investir menos de 2 milhões de dólares e faturar 40 milhões nas bilheterias? Em Hollywood, filmagem tosca virou commodity.

O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010) é o mais recente exemplo dessa onda. Começa com uma equipe de filmagens acompanhando um pastor exorcista (Patrick Fabian) no que ele espera ser seu último trabalho: ir até uma cidadezinha no sul dos Estados Unidos para desvendar a possessão de uma garota (Ashley Bell). Mas aos poucos, conforme o sjueito, que há anos tira dinheiro dos crédulos sulistas, tenta provar para as câmeras que tal fenômeno não passa de crendice, o cenário começa a parecer cada vez mais estranho. Seria o caso verídico ou mais um trabalho de rotina? Como a equipe de filmagens na trama está efetivamente rodando um documentário, a produção aproveita para incorporar cabos, microfones e cenas de bastidor à história. Os cenários da sinistra Louisiana também ajudam na ambientação realista. A falta de orçamento do filme colabora para suas intenções.

No entanto, como Atividade Paranormal, seu sucessor imediato no gênero, o truque de O Último Exorcismo rapidamente pode ser desvendado. Sem dinheiro não há efeitos especiais, então prepare-se para uma hora de insinuação e expectativa, com direito a close-ups "dramáticos" no rosto da menina encapetada e outras formas de embromação cinematográfica. A produção tem que economizar tudo o que pode até os minutos finais, quando mostrará alguma coisa assustadora de verdade. Curiosamente, nada inédito, já que o filme precisa ser vendido e, como as cenas são as únicas dignas de exposição "marqueteira", você já as conhece do trailer. O lado bom dessa manipulação toda? Sobra tempo para desenvolver personagens e acompanhar o pastor em seu falatório incessante. Sem pirotecnicas o longa precisa se apoiar em sua história, que se torna razoavelmente interessante (ignorar furos de roteiro já é algo inerente ao público) e apresenta algumas reviravoltas decentes ao final.

Mas o público não deve demorar para perceber que em filmes assim a tosquice é muleta e muito pouco acontece de verdade... é apenas uma questão de tempo até que o gênero se canibalize. E se no começo a produção até se esforça para dar alguma qualidade cinematográfica a O Último Exorcismo, a correria e tremedeira a la Bruxa de Blair do clímax é indefensável. Funcionou no passado, mas eu ficaria irritado em pagar uma entrada de cinema para não ver o que está acontecendo. Até o diabo pega na câmera em determinado momento - e saiba você que ele é péssimo cinegrafista.
(Érico Borgo)

Ei, essa é pra você!


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."
(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ó vida!

O amor que não se renova a cada dia passa a ser um hábito e termina sendo uma escravidão.
(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Último Mestre do Ar


O filme é baseado nos animes Avatar, que nada têm a ver com o blockbuster de James Cameron. É sobre um mundo constituído de quatro povos distintos, que só ficam em harmonia quando regidos pela força dos avatares, espécie de monges (ou “xerifes cósmicos”, como ironizou um jornal alemão) que têm poder sobre os quatro elementos da natureza – fogo, terra, ar e água.

Há algum tempo, esses mestres estavam desaparecidos, mas a suspeita de que uma de suas reencarnações teria retornado faz com que os povos iniciem uma corrida ao tesouro, uns querendo ajudá-lo a trazer a harmonia de volta ao mundo e outros querendo encontrar o tal mestre para prendê-lo e terem a possibilidade de eles dominarem o mundo com suas máquinas. Uma criatividade só, não?!

M. Night Shyamalan já vinha apanhando da crítica com seus últimos filmes (A Dama na Água e Fim dos Tempos). O Último Mestre do Ar obteve apenas 8% de aprovação no Rotten Tomatoes (site que contém a média de cotação da crítica), um pesadelo para quem já esteve nas listas dos mais promissores diretores de cinema, quando do lançamento de O Sexto Sentido, uma preciosidade do suspense atual.

O problema é que o sujeito não consegue delegar funções: além de dirigir, ele assina o roteiro e produz o filme – e faz questão que todos saibam disso. O resultado já pode ser visto pela triste bilheteria que o título teve nos Estados Unidos.

Tendo como protagonistas uma criança demoníaca (que da bondade de um avatar nada transparece), dois irmãos palermas (que deveriam ser os protetores do avatar, mas são incompetentes para tal) e um vilão sem expressão (Dev Patel, antes a revelação indiana em Quem Quer Ser um Milionário), o filme lota-se de clichês, elos mal desenvolvidos, um roteiro fraquíssimo - inacreditavelmente também assinado pelo Shyamalan – e diálogos tão redundantes que beiram o ridículo. A maior parte das falas nem precisava existir. Elas apenas explicam o óbvio, aquilo que já está sendo mostrado em imagens.

A saga de Aang é longa e se passa em um universo complexo. O Último Mestre do Ar sofre da mal que outros começos de franquia já penaram: a necessidade de apresentar todo um cenário fantástico. Quando se tem uma série animada – de onde surgiram os personagens –, a estrutura de episódios funciona para que sejam mostrados elementos do universo sem que se perca o entusiasmo pelos protagonistas. No filme, tudo acaba tendo de ser jogado rapidamente e o mascote de Aang parece apenas ser um figurante de luxo, por exemplo.

Um aviso final: não assista ao filme em 3D! Com tantas opções desse tipo de projeção, é melhor guardar sua verba e investir em títulos que foram realmente pensados para serem apresentados dessa forma. O Último Mestre do Ar foi porcamente convertido para estereoscopia na pós-produção e o efeito é praticamente impercepitível.

(Críticas de Fred Burle e Edu Fernandes)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quer coisa melhor?


Simplicidade
Cada semana, uma novidade.
A última, foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema,
qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos !
Viagens aéreas não me incham as pernas,
incham-me o cérebro, volto cheio de ideias !

Brigar, me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago !
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...

E telejornais...
Os médicos deveriam proibir...como doem !
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!
(Luís Fernando Veríssimo)